Após 42 anos prestando assistência médico-humanitária no Camboja, repassamos nossas últimas atividades às autoridades de saúde locais em 2021.
Durante o ano, equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) trabalharam com o Ministério da Saúde na expansão do projeto comunitário de atendimento à hepatite C para oito novos distritos.
O projeto foi inaugurado na capital, Phnom Penh, em 2016, sendo, em seguida, implementado em toda a província de Battambang, usando novos medicamentos altamente efetivos chamados antivirais de ação direta (DAAs), que causam menos efeitos colaterais e demandam regimes de tratamento mais curtos. Isso permitiu que nossas equipes reduzissem a fase de monitoramento, na medida em que mantinham uma taxa de adesão muito alta ao tratamento.
MSF treinou enfermeiros em centros de saúde para examinar o histórico dos pacientes e verificar se eles apresentam sintomas de cirrose, uma complicação decorrente da doença. Em caso positivo, esses pacientes devem ser encaminhados para o hospital distrital; em caso negativo, os enfermeiros iniciam o tratamento com DAAs no centro de saúde. O sucesso desse modelo simplificado de atendimento demonstrou que ele poderia ser implementado em nível primário em todo o país e o protocolo foi incorporado às diretrizes clínicas do Ministério da Saúde.
Em cinco anos, mais de 19 mil pacientes foram tratados por hepatite C no Camboja graças a esses novos tratamento e modelo de atendimento. MSF permanecerá envolvida com as autoridades locais para além de 2021, como parte de uma coalizão de organizações chamada Hepatite C PACT, que visa a ampliar o acesso à testagem e ao tratamento da hepatite C no Camboja e em outros países de baixa e média rendas.