Em meio à crescente instabilidade e violência no Haiti em 2023, Médicos Sem Fronteiras (MSF) trabalhou para manter serviços vitais, incluindo tratamento para traumas, queimaduras e violência sexual, bem como cuidados maternos e neonatais.
Anos de turbulência política e de guerras entre gangues afetaram a saúde física e mental do povo haitiano e tambéme a prestação de serviços básicos, como cuidados de saúde. No entanto, desde o assassinato do Presidente Jovenel Moïse em 2021, a situação deteriorou-se significativamente, levando o país mais pobre do Hemisfério Ocidental à beira do colapso.
Em 2023, a capital, Porto Príncipe, e outras áreas do país continuaram a ser abaladas pela violência de gangues com motivações político-econômicas, que por vezes irromperam em batalhas de rua em grande escala, como em abril e maio, deixando centenas de mortos e feridos. Somente em 24 de abril de 2023, nossas equipes receberam cerca de 50 pessoas com ferimentos de bala e faca em nossas instalações médicas.
A intervenção estrangeira solicitada pelo primeiro-ministro Ariel Henry não se concretizou durante o ano, mas continua sendo iminente, uma vez que os cidadãos haitianos, especialmente na capital, enfrentam a ameaça diária de serem raptados, assaltados, agredidos sexualmente ou mesmo mortos.
Os resultados de uma pesquisa de MSF mostram que entre agosto de 2022 e julho de 2023, mais de 40% de todas as mortes em Cité Soleil, a maior favela do Haiti, estavam relacionadas à violência. 40% das mulheres pesquisadas disseram que não fizeram o acompanhamento pré-natal por causa do risco de violência no caminho para um hospital ou clínica.
Nossas equipes continuaram prestando uma série de serviços médicos em Porto Príncipe e em diversas outras áreas do país, incluindo cuidados de saúde gerais e tratamento de queimaduras, traumatismos e violência sexual e de gênero. Nossas instalações incluem hospitais em Tabarre e Cité Soleil, uma clínica para cuidados de violência sexual e de saúde reprodutiva em Delmas e um centro de emergência e estabilização em Turgeau. Também apoiamos centros de saúde e administramos clínicas móveis nos distritos mais afetados de Porto Príncipe, como Brooklyn, Bel Air e Delmas 4, e em locais onde as pessoas se reuniram após fugirem da violência. Conseguimos trabalhar nessas áreas de difícil acesso porque o trabalho de MSF é positivamente percebido e respeitado pelas comunidades.